SEMANA DE INOVAÇÃO: Projeto Acesso Cidades e Comunidades como espaço de colaboração e inovação.

A Semana de Inovação 2023, proporcionada pela Escola Nacional de Administração Pública, representa um catalisador essencial para o avanço contínuo em diversas esferas da sociedade e governo brasileiro, proporcionando um ambiente propício para a apresentação e discussão de ideias transformadoras. Este evento desempenha um papel crucial ao reunir mentes criativas, organizações inovadoras e projetos inspiradores, promovendo um intercâmbio valioso de conhecimentos e experiências, além de ser uma plataforma para a exposição de avanços tecnológicos e científicos. Além disso, o mesmo fomenta a colaboração, estimula a busca por soluções para desafios prementes e inspira a próxima geração de pensadores disruptivos, visto que ao proporcionar um espaço dedicado à inovação, o evento não apenas celebra conquistas passadas, mas também serve como um impulsionador para moldar um futuro mais sustentável, inclusivo e dinâmico. Dentre as diversas palestras presentes neste evento, destaco “Projeto AcessoCidades” e “Como Construir Comunidades como Espaços de Colaboração e Inovação”. Em primeira instância, a primeira palestra refere-se à um projeto com uma iniciativa colaborativa entre a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Confocos e Anci (Brasil, Espanha e Itália), com co-financiamento da União Europeia, o qual tem como objetivo central qualificar as políticas de mobilidade urbana, transformando-as em ferramentas integradoras para o desenvolvimento urbano sustentável e a redução das desigualdades sociais, raciais e de gênero. A FNP, direcionada a aprimorar as políticas de mobilidade no Brasil, estabeleceu quatro eixos de atuação: governança; diagnóstico e capacitação; planejamento e viabilização de boas práticas; e engajamento. Esses esforços estão alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis; 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes.

No rol de iniciativas já implementadas, destacam-se três soluções inovadoras: “Bonde a pé”, “Buracômetro” e “Bota pra rodar”. O “Bonde a pé” promove a mobilidade ativa, incentivando caminhadas por meio de diferentes frentes, como Bondes a Pé Pedagógicos, Bondes a Pé para eventos e Bondes a Pé de vistoria, visando conscientizar sobre a importância da mobilidade a pé. “Bota pra rodar” é um sistema comunitário de bicicletas compartilhadas, originado da colaboração entre comunidades e instituições, proporcionando uma alternativa de baixo custo e sustentável para a mobilidade urbana. Já o “Buracômetro” é um dispositivo inteligente embarcado em veículos de transporte público urbano, dedicado ao mapeamento das condições de pavimento e localização de dispositivos de acalmamento de tráfego, utilizando algoritmos inteligentes para identificar padrões de comportamento e geoposicionar buracos, travessias elevadas e lombadas. Na categoria de ideias inovadoras implementáveis, três propostas se destacam: “Arejabus”, um sistema híbrido de ventilação que melhora a sensação térmica e a qualidade do ar para os usuários; “Pátio Virtual”, revolucionando a gestão de veículos irregulares com uma abordagem virtual; e o “Software do Sistema Inteligente de Gestão Eficiente da Mobilidade Multimodal”, proporcionando rotas acessíveis e sustentáveis para usuários do transporte público.

No que diz respeito à segunda palestra, “Como Construir Comunidades como Espaços de Colaboração e Inovação”, Anamaria Dorgo destaca a imperatividade de abandonar estruturas ultrapassadas e abraçar a era da colaboração e inovação diante dos desafios complexos que permeiam nossa realidade, onde a solução não reside em estruturas hierárquicas rígidas, mas sim na criação de comunidades dinâmicas e colaborativas. Dorgo ressalta que a superação dos desafios do futuro começa por uma introspecção, uma análise crítica de nossas próprias práticas de trabalho. Ao abordar a importância da colaboração, a palestrante destaca elementos fundamentais, como a visão compartilhada e objetivos claros comunicação franca, transparência e confiança, além da definição precisa de cargos e responsabilidades, os quais são os pilares que sustentam a construção de equipes eficazes, fundamentadas na compreensão mútua e na confiança recíproca.

A palestrante ressalta que a má comunicação e colaboração inadequada não apenas custam dinheiro, mas também conduzem ao fracasso de projetos. Diante desse cenário, a necessidade premente é a adoção de estruturas mais ágeis, como esquadrões multifuncionais e hierarquias planas, que favorecem a colaboração e a resolução eficiente de problemas. Dorgo defende a tese de que as comunidades representam o ambiente propício para conectar, empaticamente colaborar e resolver desafios complexos, destacando que as comunidades são grupos de pessoas identificadas por interesses comuns, mantendo uma comunicação constante e criando valor coletivo. Ao usar o exemplo dessas comunidades, a palestrante propõe a implementação desses princípios nas organizações, promovendo uma cultura de trabalho que valoriza a conexão, a colaboração e a inovação. Nesse contexto, a construção de comunidades dentro das organizações emerge como um catalisador para aprimorar a colaboração e a inovação, visto que a jornada para enfrentar os desafios do futuro exige uma transformação nas práticas de trabalho, uma mudança de mentalidade que priorize a formação de comunidades como o alicerce para soluções coletivas inovadoras. Em suma, a palestra de Anamaria Dorgo ressalta a urgência de construir comunidades dinâmicas como espaços de colaboração e inovação, moldando assim o futuro do trabalho e da resolução de desafios complexos.

Maysa Klausen da Silveira
Graduanda em Administração Pública pela UDESC/ESAG. Acessar Linkedin.

 

 

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